segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Oceano

http://www.youtube.com/watch?v=FHgyZFiUPeM

O fim do mundo, cap. 17

Era domingo. A gente faria uma reunião no galpão do velho McCain. Deixa eu te explicar como ficou essa história: após o discurso da Emily, o velho maluco resolveu nos ajudar, mas não nos emprestou a casa. Atrás do terreno havia um galpão velho que era usado pra estocar móveis antigos, e o velho decidiu que seria melhor que fizéssemos nossa base lá. Foi até melhor, pois o lugar era mais isolado. Foi um dia bem estranho. Depois de tudo o velho fez até biscoitos pra gente.
O fato é que, enquanto eu, Emily e Claire íamos para o Q.G. (era assim que Emily chamava o galpão do velho McCain), passamos por uma quadra velha de basquete, coberta por uma cerca. No meio desta quadra estavam Ben e Johnny praticando as tais aulas de autodefesa. Paramos para assistir. As garotasse encostaram à grade. Preferi manter uma certa distância, mas observei tudo. Torcia para que acabasse numa briga emocionante.
- Será que vai dar tudo certo? – perguntou Claire.
- Não sei – respondeu Emily.
- Digo, não há perigo de os garotos se machucarem?
- Não sei.
- Ah Claire, não esquenta com isso. É isso que eles querem fazer não é? Deixe que se machuquem – disse eu. De fato, eu queria mais é que os dois saíssem no braço. Seria algo bastante emocionante praquela tarde tediosa de domingo.
As garotas estavam de mãos dadas. Claire fazia questão de manter uma proximidade de nós, os demais Escolhidos, e isso incluía uma proximidade física, mas com a Emily ela investia pesado no toque. Estavam sempre de mãos dadas ou braços enganchados ou abraçando-se. A Emily era sempre indiferente, mas Claire não parecia se importar muito com isso. Ela segurava a mão de Emily com uma das suas e com a outra segurava a grade. Parecia mesmo preocupada com a situação dos idiotas.
- Ok garoto, vamos voltar para o básico. Por que é que a humanidade briga entre si desde o começo dos tempos? – perguntou Johnny com uma mão na cintura e a outra segurando sua jaqueta de couro no ombro.
- Sei lá. O que isso tem a ver com autodefesa? – Pow! O gordo levou outro daqueles tapas na cabeça.
- Ai! Qual é a tua? – reclamou Ben.
- Droga carinha, já te disse que isso é pra te dar inspiração! Escuta: a gente briga pra aliviar a tensão. Isso mesmo, não há nada que te deixe mais relaxado que uma boa briga. E tem mais, quando digo brigar não quero dizer bater. Digo apenas brigar, entende? Na maioria das vezes, levar uma bela surra te deixa bem mais relaxado que bater em alguém.
Ben encarou o mestre de forma curiosa.
- Se apanhar é melhor que surrar, por que vc ta me ensinando essa droga de autodefesa? – Pow! O gordo levou outro tapa na cabeça. Não entendi por que. O gordo tava certo. Aquilo não fazia sentido nenhum e eu teria perguntado a mesma coisa.
- Não garoto! Não pense assim. Droga, vc é lento... Não entende? Vc não pode passar o resto da vida evitando as brigas, muito menos se entregando a qualquer valentão que queira te bater. O esquema é revidar, mesmo que a briga esteja perdida. Mesmo que vc não tenha a mínima chance de vencer. Quando vc sabe que apanhar, muitas vezes, é melhor que bater, vc sente que não tem nada a perder e ganha confiança. Tendo confiança vc nem ao menos precisa brigar, basta demonstrar coragem e ameaçar os desgraçados. Acha mesmo que eu venceria aquela briga com Budd e sua turma? É muito difícil ganhar uma briga de três contra um, mas o segredo está em não deixar que teus adversários saibam que vc sabe disso, entende?
Ben escutava com atenção. Nesse momento o conversível de Ray estaciona ao nosso lado. O cara tava com a Ashley. O casal perfeito desembarcou e foi ter com a gente.
- E ai gente, o que é que ta rolando? – perguntou Ray sorridente.
- Ah... O Johnny ta dando umas aulas de autodefesa pro Ben, mas até agora só tão conversando. Ta chato pra caramba – respondi.
- É mesmo? Puxa, o Johnny preparou até uma aula teórica! Essa eu não posso perder – e Ray encostou-se à grade, ao lado das garotas, com uma expressão de curiosidade e animação. Ashley permaneceu ao meu lado, de braços cruzados e uma expressão de desprezo. Qual é o tipo de cara que se anima com aulas teóricas de autodefesa? Vai saber. Mantive a mesma distância dos primeiros momentos e voltei a assistir à aula.
- Mas e se a ameaça não funcionar? – perguntou Ben.
- Aí é que ta o segredo! Se vc não se importar em apanhar, vc também não terá nada a perder. E como eu disse, levar uma surra e ficar com o corpo dolorido muitas vezes é bem mais relaxante que bater em alguém.
O gordo pensou.
- Não acredito nisso. Já apanhei varias vezes e nenhuma delas foi legal.
- É porque vc ainda tem medo da dor. Lembre-se sempre que a dor é sua amiga. Mesmo que vc bata nos caras, teus punhos sempre ficaram doendo por causa do impacto com as caras feias dos imbecis. A dor sempre estará ao teu lado. O importante é saber lidar com ela, e saber que ela, unida à força, é que fazem um bom soco ou um bom pontapé.
Ben levantou uma sobrancelha e ficou com cara de “o quê?”. Johnny suspirou, jogou sua jaqueta, levantou o braço com a mão aberta e disse:
- Melhor passar para as aulas práticas. O negócio funcionará da seguinte maneira: vc acerta um soco na minha mão, com toda a força, depois eu acerto um na tua. A gente vai repetir isso até vc superar o medo da dor.
- Pare de falar isso. Eu não tenho medo da dor!
- Então o que te segura na hora de revidar os socos de Budd Tysel?
O gordo baixou a cabeça. Falou do jeito entrecortado de sempre:
- Não é da tua conta.
Johnny suspira mais uma vez.
- Vai logo carinha. Acerta o soco.
Pow. Ben acertou um soco de leve que mal estalou. Johnny apenas fez um “tsc tsc”.
- Agora é minha vez. Abre tua mão.
- Ei, eu não quero! A idéia foi tua.
- Deixa de ser fresco e abre a mão! Depois que perceber que eu não to pra brincadeira, aposto que se sentirá muito mais a vontade pra me bater.
E Ben levou o soco. POW! O gordo se apressou em gemer e chacoalhar a mão.
- Ai! O que deu em vc?
- Não esquenta garoto. A mão com que vc bate é a outra. Vai lá, agora desconta toda a dor que eu te fiz passar nessa palma aqui – disse Johnny levantando a mão.
- Droga, eu não quero. Me deixe em paz.
- Vamos! Eu não acabei de te acertar um soco? É teu direito. Vai lá, me acerta. Qual é, ainda com medo da dor?
O gordo bufou. Parecia bastante revoltado com essa história.
- Já disse que não tenho medo da dor! Eu só... Eu só não quero machucar ninguém.
Silêncio. Johnny coçou a nuca, suspirou mais uma vez e disse:
- Olha carinha, eu entendo que não goste de machucar as pessoas, mas tem vezes que é preciso escolher quem é que vai se machucar entende? Serão os idiotas que machucarão vc ou será vc que machucará os idiotas? O problema, garoto, é que eu nunca conheci um cara com menos amor próprio que vc. Sabe do que vc precisa? Encontrar alguém por quem lutar.
Ben encarou o mestre com cara de dúvida. Johnny continuou:
- Aposto que vc já se apaixonou por uma garota né? Todo mundo se apaixona uma hora ou outra. Pense que eu sou Budd Tysel e que estou fazendo a tua garota chorar. Consegue visualizar a cena?
Nessa hora Ben olhou para nossa direção. Parece olhar fixamente para um de nós. Será que a paixão dele era uma das garotas? Só sei que, por um momento, tive a impressão que o cara olhou pra mim. Sai azar!
- Vai Ben, isso mesmo. O safado do Budd Tysel ta magoando a tua garota. Ela nunca mais vai sorrir do mesmo jeito que sorria pra vc. E aí, vai deixar barato? Olha o rosto de Budd, aqui, bem na palma de minha mão. Ta vendo? – insinuava Johnny.
O cara sabia mesmo criar o ambiente certo pra despertar a ira contida em potencial nos outros. De repente, Ben franziu as sobrancelhas, puxou o braço com violência e POW! Bem no meio da palma de Johnny. Além do barulho do soco, ouvimos outro barulho característico. Aquilo não podia dar certo. Era um CLACK! Nessa hora, Johnny segura o pulso acertado com a mão, põe entre as pernas, se joga no chão e começa a se contrair e a se debater gritando:
- Ai! Seu safado! O que deu em vc?! Vc quebrou meu pulso! Seu babaca! Ai, ai, ai, filho da mãe... Nunca senti uma dor assim...
Esta sim foi uma situação idiota. O gordo apenas observava Johnny rolar no chão com uma cara de “o que foi que eu fiz?”. Claire puxou Emily para dentro da quadra e foi socorrer o infeliz. Olhei pro Ray, esperando sua reação ao acontecimento. O cara só sorria boquiaberto de um jeito idiota e dizia:
- O Johnny é um gênio!
Emily estava satisfeita, pois descobriu que a habilidade especial do Ben era a super-força. Por que o idiota nunca revelou a droga do poder quando a gente realmente precisou dele? Falando nisso, assim que vi Johnny se debatendo de dor, lembrei de algo antigo da minha infância. Algo de quando eu costumava ir na casa do Ben. Como já falei, sempre rolava umas festinhas horríveis naquela casa. Lembro de um bando de crianças fazendo chacotas com um Ben gorducho, baixinho e com um chapeuzinho de festa ridículo. Se é que eu podia lembrar bem, o gordo era uma máquina assassina e arrebentava as caras de todo mundo na festa. Não sobrava ninguém pra contar história. Foi assim até que um menino foi pro hospital, e uma mãe chorava desesperada, gritando pra Senhora Watschosk: “seu filho é um monstro!”. Que lembrança mais aleatória! É aquele tipo de coisa da infância que fica meio esquecida em alguma parte qualquer do cérebro.
Após o ocorrido, carregamos Johnny até o carro de Ray e o levamos ao hospital. Não chegou mesmo a quebrar o pulso, mas o cara teria que usar gesso por uns dias. Depois de tudo Ray levou cada um de nós para suas respectivas casas e a reunião no McCain foi abortada. O problema (que percebemos só no outro dia) é que ninguém lembrou de avisar o cara novo, o Dwight, sobre o cancelamento da reunião, e o bobalhão ficou esperando na frente da casa do velho por horas. Não seria a ultima vez que faríamos algo assim pro coitado do Dwight.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Crônicas do Mundo 2

~ O Espelho ~

Após escrever todos os seus segredos, A. guardou seu diário na gaveta. Olhou-se no espelho e se pôs a pensar nas coisas que havia acabado de escrever. Coisas secretas sobre E., o novo namorado de sua melhor amiga J. Procurando entendê-las, A. encarava seu reflexo no espelho. Tocou o vidro gelado com a mão direita, e o reflexo sorriu, apertou a mão de A. e a puxou para dentro do espelho.

A. estava, agora, em um labirinto de espelhos. Entre muitas imagens de si mesma, viu aquele reflexo – aquela outra A. que a trouxe para aquele lugar – com o diário nas mãos. Em que momento poderia, ela, ter tirado aquele caderno da gaveta? A outra A. disse:

- Eu sei seus segredos. Vou contá-los todos a J. e E.

A notícia deixou A. desesperada. Correu atrás da outra A., mas esta se confundia com os vários outros reflexos que se projetavam nas paredes de cada novo corredor daquele labirinto. A. correu, correu, correu, até que voltou para o início. Do outro lado do espelho, a garota podia ver seu quarto, e a outra A. com o diário em mãos, que ria histericamente e dizia:

- Olhe só para você. É patética. Estou cansada de ser o seu reflexo. A partir de hoje eu serei a verdadeira A. e você será o meu reflexo. Ao contrário de você, eu posso conquistar o amor de E. Agora espere aqui e não se preocupe, quando voltar, contarei todos os meus segredos a você, exatamente como costumava fazer comigo. Ah! Lembre-se: quando eu sorrir, você deve sorrir também. É para isso que servem os reflexos, não é?

Agora a garota via apenas seu quarto além do vidro frio. A outra A. fora em busca do amor de E. A pobre menina tentava quebrar o vidro, mas era impossível. Havia se tornado um mero reflexo. A. passaria o resto da vida naquele labirinto, cercada de imagens de si mesma.

Quando despertou, A. percebeu que não estava sozinha. Nunca esteve. Havia outra naquele corpo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Crônicas do Mundo 2

~ Aventuras no Fundo do Mar ~

E. e A. estavam numa parte muito especial daquele jardim. Havia uma grande piscina que tinha uma parte rasa e outra funda. Aquele lugar parecia até um parque aquático. Nossos heróis estavam na parte rasa quando, de repente, sai de dentro da água uma bela garota de olhos azuis. Disse que seu nome era Sirene, a Princesa Sereia. Contou que na parte mais funda daquela piscina havia um túnel que levava ao reino de Netuno, o rei dos mares, onde haveria uma festa e disse ainda que E. e A. eram convidados de honra.

A sereia deu aos nossos heróis dois comprimidos azuis. Eram comprimidos de oxigênio, e tomando um destes não precisariam respirar por uma hora. Agora de pulmões cheios, mergulharam fundo. No oitavo metro debaixo da água, encontraram um pequeno túnel por onde passava apenas um de cada vez.

O túnel acabou no mar. Era um espaço infinito e escuro, repleto de cardumes de peixinhos coloridos, golfinhos, baleias, medusas, arraias e todo o tipo de bichos do mar. Nadaram até encontrar as ruínas aquáticas do reino de Netuno. Eram varias construções ao estilo grego, sustentadas por colunas de marfim cobertas por musgo e cercadas por belos recifes de coral. Assim que chegaram ao palácio, foram anunciados ao rei, um velho gigantesco com seu tridente e um sorriso bonachão. O rei, então, mandou a princesa conduzir os convidados até o salão de festas onde haveria o banquete.

Havia todo o tipo de frutos do mar. Tudo parecia muito apetitoso. E. resolveu perguntar qual era o motivo da festa. Netuno respondeu “Mas que motivo haveria, pequeno terráqueo, que não teu casamento com minha adorável filha?”.

Sirene era uma bela sereia, mas E. explicou que aquilo seria impossível, pois já havia prometido seu primeiro beijo à A. no dia dos namorados. Nossos heróis não podiam imaginar o quanto a princesa dos mares era ciumenta. Sirene bateu seu pequeno sino dourado e um gigantesco polvo entrou pela porta principal. A sereia disse a seu servo marítimo, apontando para A.:

- Leve esta garota daqui. Prenda-a na masmorra até que morra afogada. Não tolero concorrência. Sou a princesa do mar e tudo que está no mar é meu. Só meu.

Foi fácil para o polvo, com seus oito tentáculos, imobilizar a pobre A. e levá-la para a masmorra do palácio. E. tentou fugir, mas era inútil. Pode sair do palácio, mas o mar era escuro e gigantesco e jamais lembraria o caminho de volta até o túnel. Nadou ao léu até acabar o efeito do comprimido de oxigênio. Desesperado, tentou nadar até a superfície, mas era impossível. A superfície estava a tantos metros acima que não era possível nem mesmo ver a luz do sol. E. nadou e se debateu até que perdesse as forças. Aquele era seu fim.

E. forçou seu retorno. Era a primeira vez que o Mundo 2 mostrava suas garras ao nosso herói.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Crônicas do Mundo 2

~ A Floresta das Ilusões ~

Deitada em sua cama, A. olhava para o teto de seu quarto e pensava nas coisas como sempre fazia antes de dormir. De repente, A. sentiu que havia algo estranho acontecendo. Estava afundando na cama, como se houvesse um buraco no colchão. A menina tentou se segurar nos lençóis, mas estes também foram lentamente dragados pelo colchão. Após ser engolida pela própria cama, A. caiu. Uma queda longa que a fez sentir calafrios na barriga. Lá no fundo deste imenso buraco (ou seja lá o que fosse), A. viu outra A. deitada sobre outra cama, dormindo. A. caiu sobre a outra A. e as duas se tornaram uma.

Assim que acordou, A. se viu vestindo uma longa camisola branca e um par de pantufas. Estava em um quarto que não era o seu. Um quartinho pequeno, das cores branco e rosa. A menina se levantou e andou pelo quartinho. Estava em uma casa de bonecas no meio de uma grande floresta. Pela janela, A. via apenas árvores e folhas secas sobre o chão. Aquela era a Floresta das Ilusões.

De repente, começaram a sair de todos os lugares belas bonecas com vestidos rendados, cabelos cacheados, olhos brilhantes cobertos por cílios longos e curvados e bochechas avermelhadas. Fizeram uma cortês reverência à menina e disseram:

- Bom dia, Princesa. Dormiu bem? Temos biscoitos esperando pela senhorita. Logo pentearemos seus cabelos e a vestiremos como a princesa que é.

A. não entendeu o que estava acontecendo. Seria mesmo uma princesa? As bonecas explicaram que sim, este é o título com que elas deviam tratar sua dona até que esta casasse, para então receber o titulo de Senhora Rainha. Aquelas eram as bonecas de Pierot, um belo mágico que morava num castelo flutuante e fazia bonecas dotadas de vida para servirem suas amantes, mas A. nunca nem ao menos viu o tal mago. Como poderia ser amante de alguém assim? A. comeu alguns biscoitos e partiu à procura do jardim onde estavam os seus amigos. Levou consigo apenas a boneca Blanche, a de cachinhos louros e olhos verdes. As demais deveriam cuidar da Casa de Bonecas.

Enquanto caminhavam pela mata, uma fadinha brilhante sobrevoou a cabeça de A. Aquela era Jingle Twingles, a fada mais levada de toda a floresta. Uma fadinha estranha com olhos de inseto. Blanche contou que aquela fada havia até mesmo sido expulsa do Bosque das Fadas pela Rainha Titânia por suas brincadeiras cruéis. Jingle Twingles disse para A.:

- Escute menina, estou entediada. Vamos brincar de esconde-esconde, está bem? Você procura, é claro. Vamos, vai ser divertido! ...Não? Pois bem, se é assim que quer, terei que pegar pesado com você. Enquanto não me encontrar, usarei minha magia para fazer com que se perca pelo bosque e fique presa aqui para sempre. Pronta? Aqui vou eu!

A. não podia encontrar a fadinha levada em lugar nenhum, nem ao menos fugir por já estava sob o feitiço de Jingle Twinkles. A. se sentou sob uma árvore e se pôs a chorar. Blanche lamentou não ter trazido um lenço para sua princesa. Eis que, então, pousa uma grande coruja com um par de óculos sobre a árvore em que A. estava e disse:

- Hoo hoo! Olá, minha cara jovem, o que uma bela menina e sua boneca fazem numa floresta como esta? Há um portal que leva ao seu jardim logo ali em frente e... O que? Jingle Twinkles fez uma coisa terrível dessas? Aquela fadinha levada! Não se preocupe, vê aquela árvore oca ali? Aposto que ela esta lá. Agora senhoritas, se não se importam, receio que preciso, o quanto antes, voltar à minha biblioteca. Adeus e boa sorte! Hoo hoo!

A. enfiou a mão pelo buraco da árvore e tirou Jingle Twinkles de seu esconderijo. A fada acusou a menina de roubar no jogo e disse que não a libertaria de sua maldição. A fadinha, agora presa em sua mão, era tão frágil que A. decidiu quebras seu braço esquerdo. Foi como quebrar um graveto. Explicou à fadinha que quebraria cada um de seus membros lentamente até que fosse libertada do feitiço. Jingle Twinkles gritou, chorou e prometeu nunca mais se meter com A.

Em frente, A. encontrou uma grande e maciça porta de madeira no centro de uma clareira. Aquele devia ser o portal do qual o Mestre Coruja falara. A. poderia, então, aproveitar o resto de seu tempo no jardim com seus amigos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Crônicas do Mundo 2

~A. em apuros ~

A. e J. caminhavam pelo jardim. J. era a melhor amiga de A. Era a garota mais bonita daquele jardim. Tinha cabelos dourados e grandes olhos da cor do mel. Usava um adorável vestidinho de verão e sua pele tinha cheiro de protetor solar. Caminhando por este jardim, as duas meninas encontraram uma criação de lindos coelhinhos presos por uma cerca de arame farpado. A. quis um para si, mas J. explicou que aqueles coelhos eram de E., o novo rei dos animais que matou o antigo rei com um taco de beisebol. A única forma de ter um daqueles coelhos seria pedindo um coelho de presente ao novo rei. O problema é que E. era um garoto violento e um pouco cruel. A. sentia um pouco de medo de E., mas, mesmo assim, resolveu tentar.

As duas garotas partiram para o Trono Selvagem. Lá, encontraram E. em seu trono, com uma capa vermelha enrolada no pescoço e a pesada coroa do rei dos animais sobre a cabeça. Vários animais assustadores estavam em volta do rei, como lobos, onças, touros, javalis e gorilas. J. disse à corte que A. queria um coelhinho de E. O garoto pensou, olhou para as duas meninas e perguntou:

- Vocês são virgens?

J. se apressou em dizer que não. A pobre A. não sabia o que era isso e apenas ficou calada. E. concluiu que sim, A. era virgem. Dois gorilas apanharam A. pelos braços e E. disse:

- Que conveniente! Há tempos devo uma virgem como sacrifício a King Kong. O velho macaco deve estar morrendo de fome. Animais, façam os preparativos! Teremos um sacrifício esta noite!

Os animais celebraram e A. foi levada até o covil do King Kong. Foi amarrada em um grande tronco entre um circulo de tochas, em frente à caverna do grande gorila. Era lua cheia – a lua perfeita para fazer oferenda aos deuses. As cordas estavam tão apertadas que machucavam os pulsos e os tornozelos de A. De repente, J. apareceu, com roupas indígenas, o rosto pintado, uma pena na cabeça e um coelhinho branco nos braços. Disse que E. a tinha pedido em namoro e que havia aceitado, e que ele havia lhe dado todos os seus coelhos.

J. falou, enquanto passava pimenta no corpo de A.:

- Não grite, pois isso apenas deixará o King Kong mais enfurecido, o que te fará sofrer mais. Lembre-se de chorar baixinho.

Barulhos estranhos vinham da toca do King Kong. Os macacos tocavam freneticamente os tambores da selva. A. nunca havia sentido tanto medo. A menina fechou os olhos e tentou acordar com toda a força.

Desconectada. O Mundo 2, às vezes, podia ser realmente assustador.

Crônicas do Mundo 2

~Enquanto isso, no Mundo 1...~
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E. desceu até o 305 no terceiro andar. Lá era o quarto de A. Assim que entrou, deparou-se com A. deitada em sua maca, com um pijama cor-de-rosa, grandes óculos de grau e um computador sobre o colo. Ela passava a maior parte do tempo naquele computador. Os pais de A. estranharam e perguntaram a E. quem era afinal. A. se apressou em dizer que era um amigo de escola que veio visitá-la. Os pais desceram até a lanchonete tomar um café, e A. e E. tiveram um momento a sós, mas A. era muito tímida no Mundo 1 e não falou quase nada. Pediu para E. que voltassem a se encontrar somente no Mundo 2.

E. voltou para seu quarto.