terça-feira, 13 de outubro de 2009

O fim do mundo, cap. 5

Dois dias já haviam se passado desde que contamos ao Ben sobre os Escolhidos e ele continuava a não dar a mínima pra gente, aliás, eu nem falava mais com ele de tanta vergonha que eu tava. Claro que eu não ligava muito pra opinião do gordo, mas eu odiava quando as pessoas me olhavam com aquele jeito de quem ta me achando um idiota.
Eu e Emily estávamos em um ônibus quase vazio. Tinha apenas a gente, uma velhinha sentada dois bancos à nossa frente e uma mulher com dois filhos pequenos que ficavam fazendo bagunça. Eu odeio andar de ônibus, principalmente quando a pessoa que senta do teu lado tenta puxar conversa. Emily, no entanto, apesar de estar ao meu lado havia uns 20 minutos, não falava uma palavra. Isso me deixava muito desconfortável, pois a gente que se conhecia devia conversar numa situação dessas. Fiquei pensando em coisas para dizer, só pra quebrar o clima.
- E então... Tua casa é muito longe?
- Não muito. É daqui a três quadras.
- Ah...
Emily havia me convidado pra ir à sua casa aquela tarde. Disse que precisava me mostrar alguns “documentos” e conversar sobre “assuntos secretos”. Com certeza o tema seria a grande ameaça alienígena, a revista óvni ou coisas do tipo. Eu realmente achava um saco quando ela me fazia ouvir aquelas bobagens, mas eu tava muito curioso pra saber onde ela morava, como era sua família, como era seu quarto e essas coisas. Seria tudo tão estranho quanto ela? Pensei que não teria nada a perder em fazer uma rápida visita à sua casa.
-É aqui que a gente desce. – disse ela, depois de uma longa viagem e pouquíssima conversa.
Estávamos em frente a um prédio. Não imaginava que ela morasse num apartamento. Não sei por que, mas eu imaginava uma casa meio macabra, cheia de gatos e corvos e sei lá mais o que. O prédio era antigo. Entramos e começamos a subir um terrível lance de escadas por que o elevador tava quebrado. Cara, a menina morava no sétimo andar. Quase morri de tanto subir degrau. Chegamos à porta do apartamento e eu tava ofegante como um porco, mas tentava esconder isso dela enquanto ela procurava pela chave na bolsa. Enfim entramos. Era um apartamento normal, com pouquíssimos móveis, o que dava uma sensação de ser bem espaçoso.
- Com licença. – falei ao entrar. – A tua família ta em casa?
- Não. Eu moro sozinha.
- Sério? Eu não sabia disso. E teus pais, onde moram?
- Meus pais são separados. Minha mãe mora na capital e meu pai no exterior.
- Puxa, e deixam vc morar sozinha? Meus pais nunca deixariam.
- Meus pais não se importam com isso. Eu mudo da casa de um parente para outro desde a separação, quando eu tinha nove anos. Este ano eu propus a eles que me pagassem o aluguel de um apartamento pra que eu pudesse morar sozinha.
- Mas vc não tem medo de ficar aqui sozinha?
- Não. Eu gosto daqui, e dizem que esta vizinhança é bem segura, então não me preocupo tanto.
- E teus pais, eles ligam bastante?
- Não muito. Às vezes minha mãe liga pra saber se ta tudo bem, mas é coisa de uma vez por mês.
- Credo, teus pais não dever se importar muito com vc.
Eu sou mesmo um idiota. Esta não é, nem de longe, a melhor coisa pra se falar numa situação dessas, principalmente quando eu finalmente consigo adentrar o covil da menina mais estranha do colégio. Ela não olhava pra mim enquanto falava.
- Não muito. Meus pais não se dão muito bem. Meu pai dizia, na época da separação, que minha mãe havia roubado a sua juventude, sua liberdade e outras coisas desse tipo. Minha mãe dizia que a culpada era eu, que era estranha e só dava tristeza pro meu pai.
- Nossa, que coisa horrível pra se falar pra uma filha! – disse eu, tentando reparar a situação que acabava de criar.
- Depois que eles se separaram, meu pai dizia que voltaria pra Rússia e que minha mãe devia cuidar de mim, mas minha mãe queria recuperar o tempo que meu pai havia roubado da vida dela e me deixou com uma tia que já tinha seis filhos. Eu não gostava muito. Não gosto de morar com muita gente, e a minha tia se incomodava bastante comigo.
- Ué, por quê?
- Não sei.
Talvez fosse pelas esquisitices dela.
- E daí, vc veio pra este apartamento?
- Não, depois de morar com essa tia, eu morei com meu avô.
- E o velhinho era legal?
- Era sim. Morávamos apenas eu e ele num casarão bem antigo. Ele já tava muito velho, tinha um monte de doença e vivia esquecendo do meu nome. Ele vivia me chamando de Christine por engano. Depois de um tempo eu nem o corrigia mais. Apesar disso, era bom morar naquele casarão por que ele não se incomodava muito comigo e nem eu com ele. Foi um tempo bem legal.
- E por que vc saiu de lá?
- Ele teve um derrame e morreu. O casarão foi dividido entre os meus tios que o demoliram e venderam o terreno pra uma gente que construiu um supermercado no lugar do casarão. Eu tive que morar mais um tempo com aquela tia dos seis filhos até que ela discutiu com a minha mãe por telefone. A briga foi bem feia e me mandaram de ônibus de volta pra casa da minha mãe, mas eu e ela não conseguimos conviver muito bem, ai eu voltei pra cá.
- Voltou pra cá?
- Sim. O casarão do meu avô era aqui na cidade.
- Ah...
Dava pra entender por que ela era tão estranha. Aquela vida parecia ser uma droga. Depois dessa conversa, ela me chamou pro seu quarto. Eu tava louco pra isso. Apesar das minhas expectativas, o quarto era relativamente normal. Havia uma cama de solteiro desarrumada com um lençol azul claro e um edredom azul escuro, um guarda-roupa tamanho médio, uma estante e uma mesa com um computador.
- Pode sentar aqui. – disse ela, me apontado a cama.
Fazia tempo que eu não entrava em um quarto de menina que não fosse a minha irmã idiota. Sentei na cama desarrumada enquanto ela procurava por alguma coisa entre as gavetas da mesa. Era um livro bonito que parecia ter sido comprado recentemente.
- Max, deixa eu te mostrar uma coisa que eu ando pesquisando.
Era um livro sobre ufologia. Ela se concentrou num parágrafo sobre calendário maia. Era tudo uma grande piração que ela me explicava detalhe por detalhe.
- Veja bem: segundo este calendário dos maias, uma civilização que possivelmente entrou em contato com seres extraterrestres, o fim do mundo está bem próximo. Fazendo uma média entre as previsões deste e de outros livros sobre o assunto, eu presumo que a invasão ocorra em julho do ano que vem. No entanto, os humanos do futuro nos dizem que a invasão ocorrerá em 2020. Talvez algo possa ter mudado no espaço-tempo de nossa dimensão com relação à dimensão do futuro, e...
Ela falava bastante, mas eu não prestava atenção. Assim que pegou o livro, ela se sentou ao meu lado na cama. A perna e o braço dela encostavam nos meus. Ela trazia o livro pra bem perto de mim a fim de que eu prestasse a maior atenção, mas a única coisa pra qual eu ligava era uma mecha de cabelo dela que caia sobre o meu ombro que me fazia sentir um leve cheiro de xampu. Enfim, estávamos no quarto de uma menina sozinha em casa, sentados na mesma cama desarrumada, levemente encostados um ao outro. Eu não tinha como pensar em outra coisa. Pensava em esticar meu braço como se quisesse espreguiçar e, aos poucos, passá-lo por volta da cintura dela. A Emily era muito magra e tinha as pernas finas, mas tinha uma cintura que parecia bastante agradável. Eu faria tudo isso, é claro, se não fosse um medroso. De repente, ela concluiu aquela conversa (pra qual eu não dava nenhuma atenção) repentinamente, levantou e se sentou em frente ao computador, o que me frustrou bastante.
- Olha só, quero te mostrar mais uma coisa. – disse ela, me chamando para o computador.
- O que é isso?
- É o e-mail que eu recebi dos humanos do futuro. Achei melhor compartilhar isso com vc.
- Por que eles mandam essas coisas pra vc e não pro resto de nós?
- Não sei. Poderíamos perguntar isso diretamente pra eles, mas eu já tentei me comunicar, enviando e-mails para o remetente, mas nunca me responderam.
Aquilo sim era algo idiota. O e-mail era “humanos@dofuturo.com”. Pensei que ela poderia ter criado aquele e-mail idiota apenas pra curtir com a minha cara. O assunto era “Antigas profecias maias”. Ela abriu aquilo e se pôs a ler em voz alta pra mim. Eu jamais abriria um e-mail como aquele. Só podia ser vírus. A coisa seguia assim:

Caros Escolhidos, por meio desta, esperamos transmitir a vocês algumas informações úteis a respeito do caso alienígena. Como sabem, uma civilização bélica e tecnologicamente superior à nossa invadirá nosso mundo no ano de 2020. A invasão se tornará possível graças a um portal inter-dimensional que se abrirá devido ao alinhamento dos planetas de nossa galáxia. Recentemente, descobrimos mensagens talhadas em pedra pelos antigos maias que previam, com grande riqueza de detalhes, os acontecimentos terríveis que estariam por vir. Ainda não conseguimos decodificar toda a mensagem, O que descobrimos até agora foi que, no ano em que vocês vivem, nasceriam nove escolhidos que podem evitar a abertura do portal. Segue abaixo a definição destes escolhidos, segundo as previsões maias: Primeiro escolhido, planeta: Terra. Virtude: Amizade. Segundo escolhido, planeta: Saturno. Virtude: Gentileza. Terceiro escolhido, planeta: Júpiter. Virtude: Honra. Quarto escolhido, planeta: Urano. Virtude: Coragem. Quinto escolhido, planeta: Marte. Virtude: Temperança. Sexto escolhido, planeta: Mercúrio. Virtude: Compaixão. Sétimo escolhido, planeta: Vênus, Virtude: Amor. Oitavo escolhido, planeta: Netuno. Virtude: Sabedoria. Nono escolhido, planeta: Plutão. Virtude: (ainda não conseguimos decodificar a virtude do representante de Plutão).
Como vocês devem saber, nossa situação é precária e raramente conseguimos nos comunicar com vocês, pois a comunicação com o passado ainda exige muitos recursos, mas entraremos em contato o mais breve possível assim que descobrirmos algo novo. Até lá, desejamos sorte a vocês.

Atenciosamente
Humanos do futuro

Os caras só podiam estar de sacanagem pra cima de mim. Aquela conversa sobre “planetas” e “virtudes” parecia roteiro daqueles desenhos educativos horríveis que passavam antigamente. Sem falar que Plutão já não era mais considerado planeta. Esses humanos do futuro são estúpidos ou o quê?
- Eu acredito que a palavra “virtude” aqui tenha sido mal traduzida. – disse a estranha depois de ler aquela balela. – Se a gente ver bem, coisas como “amizade” e “amor” não são, necessariamente, qualidades, mas se reverem às relações humanas. Acredito que isto seja um símbolo do poder que cada um de nós tem.
Que droga, tava tudo tão bem enquanto estávamos sentados na cama, tão próximos um do outro.
- Escuta Emily, não seria melhor parar com estas suposições? Esse e-mail pode até ser fake, uma brincadeira de alguém ou qualquer coisa assim.
- É possível, mas é melhor a gente não menosprezar uma oportunidade a mais de compreender a nossa situação e as nossas capacidades para a guerra que está por vir, afinal, somos os Nove Escolhidos. Seria, também, muita coincidência, pois o e-mail e o Canal X têm muitas coisas em comum.
Eu já passava a achar que o próprio Canal X fosse uma grande palhaçada, inventada por uma rede de TV pretensiosa querendo fazer um reality show com a nossa burrice. Ela continuava me bombardeando com informações a respeito da terrível invasão, até que, de repente, a campainha do apartamento toca.
- Quem poderia ser? – perguntei.
- Provavelmente o Ben.
- O Ben? Mas por que diabos ele viria aqui?
- Eu chamei todos os escolhidos para essa reunião. O Ray disse que estaria ocupado e que sentia muito por não comparecer. Ben disse que viria, porém um pouco mais tarde, pois tinha que buscar os irmãos mais novos na escola.
- Mas o Ben jamais levaria a sério essa história toda que vc me contou!
- Acredito que não. Contei a ele, durante a aula, qual seria o tema da nossa reunião e mesmo assim ele compareceu. Isso só pode significar que ele assistiu ao Canal X e que acreditou no que viu.
Dito e feito. A menina abre a porta e entra ninguém menos que Ben, vermelho e ofegante de uma forma absolutamente escandalosa após subir os sete andares. Aquele gordo idiota não podia ter aparecido numa hora mais inconveniente.
- Droga, Ben, o que vc ta fazendo aqui?
- Foi ela quem me convidou e vc não tem nada haver com isso. – disse o gordo apontando pra Emily. O Ben tinha a mania de não chamar os outros pelo nome, principalmente meninas.
- Não vai me dizer que viu o Canal X e agora voltou pra nos pedir desculpas pela tua falta de educação?
- Eu não sei o que vcs fizeram com a minha televisão, mas ainda não acredito em uma palavra que vc disse aquele dia.
- Então por que vc ta aqui.
Ben desviou o olhar. A pergunta parecia tê-lo deixado nervoso.
- Não é da tua conta.
A Emily pediu para que sentássemos na cama para que ela pudesse explicar mais uma vez aquela história toda. Ela permanecia de pé e eu, que antes estava levemente encostado a uma menina sozinha em seu quarto, agora estava levemente encostado a um gordo suado e ainda ofegante que curtia comer meleca de nariz. Passamos o dia daquele jeito. Naquela noite eu mal pude dormir de tanto ódio daquele gordo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O fim do mundo, cap. 4

- Max, por que estamos escondidos atrás deste arbusto?
- Shhh! Escuta Emily: fica quieta ta legal? Se eles nos descobrem, a gente ta ferrado.
Não, a gente não tava se escondendo de nenhum alienígena do futuro. A situação era bem pior. Deixa eu explicar: depois de ficar sabendo que Ben, o popular “comedor de melecas”, era o novo Escolhido (eu ainda não me conformava com isso), a Emily insistiu pra que a gente abordasse o cara na saída da aula. Tentamos alcançá-lo antes que fosse embora, mas a situação era muito pior do que imaginávamos. O pobre Ben já havia sido abordado antes da gente por ninguém menos que Budd Tysel e sua turma. Este era o valentão do colégio. Gordo, alto, cabelo ruivo cortado ao estilo militar, sardinhas na cara e os olhos sempre serrados. Andava sempre acompanhado de dois outros fanfarrões, o Billie Joe, um cara alto e magro com cabelo pelo ombro e o Spike, um sujeito louro metido a brigão. Havia uma lista de pessoas de quem o Budd cobrava uma “taxa de segurança” para perambular pelo pátio da escola. Ben estava nessa lista e parece que não havia pagado seus impostos. É claro que a única pessoa que ameaçava a segurança dos alunos era o próprio Budd e sua turma, por isso, nada mais lógico que pagar a taxa diretamente pra ele. O pobre Ben estava, no momento, levando uns tapas na nuca e logo levaria o lendário “cuecão”, uma prática de tortura física e psicológica que consistia em puxar a cueca do torturado para cima por um ou mais indivíduos até que o elástico da cueca estourasse. Era uma situação bastante frustrante. Por que eu e Emily estávamos escondidos atrás do arbusto? Lógico. Eu também estava na lista da taxa e não havia pagado aquele mês.
Emily e eu assistimos escondidos à prática do famigerado cuecão no gordinho infeliz que caiu deitado no chão, e sua cueca continuou na mão de Budd, partida pela metade. Budd falou de uma forma bem hostil:
- E então, gordo, não vai chorar não?
Ben não chorava, não reclamava e nem ao menos reagia. Apenas suportava sua punição de forma estóica.
- Aposto que o bebêzão ta tão assustado que nem consegue chorar, ehehe – disse Billie Joe.
- Ei Budd, vamos pegar todo o dinheiro dele! – propôs Spike, todo fanfarrão.
- Não adianta, seu burro. – Budd deu mais um chute nas ancas de Ben, que ainda estava prostrado no chão. – O maricas não tem um mísero centavo. É um gordo inútil mesmo. Escuta aqui, Watchosk, da próxima vez é bom que traga o dinheiro que me deve, ta legal? E diz pro teu amiguinho, o Carter, que eu não me importo se ele se tornou amiguinho do pessoal do football, pois quando eu pegá-lo, ele terá o mesmo tratamento especial que você!
Os valentões, enfim, foram embora e deixaram o pobre Ben no chão. Meu nome completo é Max Carter, ou seja, eu tava em maus lençóis, por isso me escondia atrás de um arbusto. Após os caras sumirem do meu campo de vista, fomos ver a situação em que o Ben estava. Ele ainda estava deitado no chão, se recuperando da situação.
- Me deixem em paz.
- Não podemos fazer isso Ben. – falei - Vc ta bem?
- Eu já disse pra me deixarem em paz.
- Por que vc não chorou, Ben? – perguntou Emily, de uma forma bem sincera. Droga, aquela sinceridade apenas pioraria a situação.
- Eu não choro, droga.
- E por que não chamou por ajuda? – perguntei.
- Não é da sua conta.
- De qualquer forma, estamos aqui para falar algo muito importante para vc. Algo que diz respeito ao futuro da humanidade. Explique pra ele, Max.
- Droga, Emily, olha o estado do cara! Agora não é uma boa hora pra fala sobre essas coisas.
- Amanhã pode ser tarde demais. É preciso que a gente se apresse.
Como você pode imaginar, ela acabou me convencendo e eu acabei falando o mesmo discurso decorado que fiz pro Ray sobre alienígenas do futuro com poderes psíquicos, Canal X e essas coisas. Ao final do discurso, Ben, ainda esparramado no chão, me olha seriamente e diz:
- Que Droga, Max, vc acha que eu sou idiota? Não tenho tempo pra essas idiotices. – levantou, bateu a poeira, nos deu as costas e partiu sem nem ao menos se despedir da gente.
- Ótimo não é, Emily? Tava na cara que, uma hora ou outra, alguém com bom senso iria nos achar um par de idiotas.
- Creio que não. Achei que ele parecia bastante interessado.
- O que é que vc ta dizendo? Não viu o que ele disse?
- Ele disse isso agora, mas, com certeza, a curiosidade vai fazer ele conferir o Canal X. Eu tenho um pressentimento disso.
- Caramba, vc é muito otimista.
- Não é questão de otimismo. Cada um de nós, os Escolhidos, tem um poder especial. Ben e Ray ainda estão por revelar os seus. O meu é o de captar presenças sobrenaturais, no entanto, acredito que o seu seja o mais importante.
- Meu poder? Do que é que vc ta falando?
- Vc tem o poder do convencimento. Vc é o único que pode convencer os outros Escolhidos de que a nossa história é verdadeira.
- Como vc sabe dessas coisas?
- É minha intuição.
Cara, eu simplesmente odiava quando ela falava essas coisas abstratas sobre pressentimentos e intuições.
- Além disso, - continuou ela – também recebi um e-mail das pessoas do futuro explicando nossos poderes. Mas eu já previa quais eram antes de receber o e-mail.
Ta ótimo, agora tudo fazia o maior sentido. Eu começava a pensar se essa historia de Canal X não era só uma ilusão coletiva que a gente tava tendo. Talvez uma indústria química tivesse acidentalmente dispensado um produto no reservatório de água da cidade que causasse alucinações. Sei lá. Fomos embora.
Peguei meu skate e voltei pro conforto da minha casa. As ruas já estavam vazias. Estava calmo, do jeito que eu gostava. Dava até pra fazer manobras no caminho. Sempre adorei a paz das ruas vazias ao anoitecer. Pensei que aquele dia horrível finalmente tivesse acabado, foi quando estaciona ao meu lado um carro vermelho, conversível, dirigido por ninguém menos que Ray, que já tinha idade pra dirigir, e transportando Ashley, Henry, Eddy e uma outra menina da torcida do football. Ashley e Ray, pelo visto, já haviam reatado. Algo me fazia ter um péssimo pressentimento sobre aquela situação.
- Ei Max! E ai, quer uma carona?
Ashley e os outros me encaravam com um olhar de puro desprezo, enquanto Ray continuava com aquele sorriso amigável de sempre.
- Há há.. Não precisa se incomodar não. Eu to bem. Eu to de skate, por isso é fácil chegar em casa.
- Vamos lá Max, eu insisto. Te levo pra onde vc quiser.
- Que é isso cara! Não precisa se preocupar não. A minha casa é bem perto daqui. Não esquenta com isso não, ahaha...
Eu estava absolutamente desesperado. Uma viagem como aquela seria terrível. Percebi que tinha que contornar a situação sem parecer um perdedor idiota.
- Tem certeza disso Max? Não tem problema nenhum, sempre cabe mais um amigo no meu carro.
- Certeza, pode ir tranqüilo por que eu to quase em casa ta legal? Ahahah...
- Bem, vc é quem sabe. Então nos vemos amanhã na escola. Até mais!
- Até mais!
Me senti profundamente aliviado. Imagina só, eu no banco de trás com aqueles caras idiotas? Além de ser alvo de todas as chacotas eu ainda odiaria perder aquela rua vazia, perfeita para algumas manobras. Enfim, voltei para minha casa e pensei que nada de pior poderia me acontecer. Eu mal sabia o que me esperava para o futuro.

Ciranda dos Anos Noventa

Mil anos de paraíso para você!
É como brincar de pega-pega e esconde-esconde ao mesmo tempo
mas tem aquele garoto que você não consegue pegar de jeito nenhum
e você corre mais e mais... e corre como se fosse correr para sempre.
Ai chega o amor e enche teus pulmões de sangue quente
e você quer correr mais rápido que o vento.
Mais rápido até que o próprio Flash.
Atenção tripulação! Dispensar a carga do coração, da cabeça e da barriga.
Você nunca se sentiu tão feliz, não é?
“É tão emocionante!” ela diz, mas é muito mais que isso.
É divertido.
Cuidado! É o mundo?
Sim! De repente, o mundo está ruindo às nossas costas
Esta é a hora da mágica Ciranda dos Anos Noventa.
O tempo é comprimido, mas a velocidade continua
e são mais mil anos de paraíso para você!



Você pode chorar agora...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O fim do mundo, cap. 3

Mais uma semana passou desde que Ray se tornou um dos Escolhidos. Era hora do almoço e eu estava no refeitório. Fui o primeiro a chegar à mesa. Estava esperando por Emily para que ela pudesse me manter informado sobre os novos casos de aparições extraterrestres e essas coisas. Aquilo era um tédio. Ray, como era um cara muito popular, dividia sua atenção com a gente, o pessoal do football, as garotas e mais um bando de gente. Eu nunca gostei de pessoas que tem bastante amigos. Ray até que não era tão ruim quanto eu pensava, mas eu ainda não gostava dele. Sempre odiei os caras populares.
Era segunda-feira. Eu odeio esse dia. Estava um tédio, até que a Emily chegou.
- Bom dia! – eu a cumprimentei com um sorriso no rosto.
- Bom dia. - disse ela, absolutamente séria.
Havia algo de diferente nela. Estava com os cabelos presos, o que tirava aquela franja da frente dos seus olhos. Nunca havia reparado naqueles olhos azuis que ela tinha. Ela até que era bonitinha. Me passou pela cabeça que eu poderia investir em um relacionamento com ela se ela não fosse tão estranha. De repente, pensei: “por que não?”. Afinal, eu nunca havia ficado tão próximo de uma menina como estava dela, e ela não parecia ter muitos pretendentes, então a pior parte, que é a da rejeição, eu já pularia. Se eu não gostasse, simplesmente terminava com ela. Mas e a coragem para falar qualquer coisa desse tipo pra uma menina? Droga, eu sempre odiei esse meu jeito envergonhado.
Havia duas semanas que almoçávamos juntos, só eu e ela. Às vezes o Ray passava só pra conversar rapidamente com a gente, saber das novidades, mas o cara fazia um verdadeiro rodízio de mesas, todo dia almoçando com uma galera diferente. Eu e Emily ficávamos a sós, pois ninguém queria sentar-se à mesa com perdedores como a gente. De repente, justo quando eu pensava em algo pra dizer à Emily, que estava particularmente atraente naquele dia, senta em nossa mesa Ben Watchosk. O cara estudava na nossa sala, aliás, ele estudava na mesma turma que eu havia muitos anos. Era o mais próximo que eu tinha de um amigo, mesmo assim eu o achava muito idiota, e evitava andar com ele temendo pela minha reputação. Era um garoto gordo que comia, no almoço, dois hambúrgueres e, de sobremesa, mais um pacote de batata-frita. Passava a aula inteira desenhando e era fã de quadrinhos. Era conhecido desde o primário por ser o “garoto que come meleca de nariz”, e aposto que ele devia fazer isso até hoje. O cara tinha que se aproximar de mim justo quando estou com uma garota?
- Droga Ben, vc não tem outra mesa pra sentar não? – reclamei.
Ele me olhos com uma cara de bravo e respondeu todo nervoso:
- Eu sento onde quiser. Por acaso teu nome ta escrito na droga da mesa?
A Emily ficou absolutamente calada, apenas observando a situação. Aconteceu que o cara almoçou com a gente e a nossa mesa se tornou a mesa oficial dos perdedores da escola. Ben não disse uma palavra sequer durante a refeição, só comeu como um porco, sem olhar pra cara de ninguém. De repente, pra melhorar a situação, passa o Ray acompanhado de ninguém menos que Ashley. Essa era uma menina realmente gata, mas também era a mais chata da escola. A garota era tão perfeita que te deprimia: fazia parte da torcida do time do Ray, concorria ao título de líder de torcida com a Whitney, era uma das alunas com melhores notas da escola, era boa em vários esportes, era representante da sua turma, concorria à presidência do grêmio estudantil, vinha de uma família super-rica, blá, blá, blá...
- E aí, gente! Podemos sentar com vcs? – perguntou o Ray, todo animado.
As reações foram diversas. Ray continuava com aquele sorriso modesto que eu detestava, a Emily sempre indiferente e Ben nem tirou os olhos do segundo sanduíche, mas o que foi impressionante mesmo foi a cara de estupefação que a Ashley fez.
- Você deve ta de brincadeira né Ray? Olhe só pra esses caras. É a maior concentração de perdedores que eu já vi.
Ótimo, agora eu fazia parte da maior concentração de perdedores da escola. Emily só a olhava séria, pois era imune ao que as pessoas pensavam dela. Ben só pensava em partir pra sobremesa. Eu não tive coragem de dizer nada, pra variar. Foi Ray quem repreendeu a garota.
- Pare com isso, Ashley. Não é bom falar essas coisas pras pessoas.
- Mas Ray, o que deu em vc? Por que tem dado atenção a eles? Não vê que a nossa reputação estará arruinada se passarmos a andar com este tipo de gente? Veja só: é a garota mais estranha do colégio, o comedor de meleca e... bem... nunca vi este outro ai, mas aposto que é tão fracassado quanto os outros. Como entraremos em uma boa faculdade andando com este pessoal?
Nunca agradeci tanto por alguém não lembrar de mim. Os dois continuaram discutindo sobre o assunto até que, depois de alguns insultos a mim e ao resto da mesa, a expressão de Ray mudou completamente. Nunca o vi tão zangado. Ele ficou sério, deu as costas à Ashley e disse:
- Você me dá nojo, Ashley.
Saiu do refeitório sem almoçar. A Ashley pareceu ficar arrazada. Todo mundo sabia que ela tinha uma queda pelo Ray desde que eles eram novos. A garota ficou sem reação nenhuma, olhando o amado ir embora sem ela. De repente, surge do nada Whitney e suas amigas, todas de salto-alto, bolsinhas a tiracolo e roupas de marca, rindo histericamente. A coisa era assim: Ashley e Whitney eram as garotas mais populares do colégio e as duas eram apaixonadas pelo Ray, que era, por sua vez, o cara mais popular do colégio (o que é bastante previsível). As duas eram rivais assumidas em tudo, desde títulos de miss colegial até a presidência do grêmio estudantil. A diferença é que Ashley era boa em tudo, enquanto Whitney, apesar de ser gostosa, era burra como uma porta, mas também vinha de uma família milionária.
- O que foi, queridinha? O Ray finalmente se cansou de vc? Não fique triste, isso acabaria acontecendo uma hora ou outra, hu hu hu...
- Isso não é da sua conta. Para sua informação, nós estamos muito bem sim, obrigada! Isso aconteceu só porque Ray está nervoso com a nova temporada de jogos que está chegando e com os exames semestrais. E você, querida, está pronta para os exames?
Ashley acabava de pegar Whitney pelo ponto fraco. Todo mundo sabia que ela era extremamente burra, inclusive ela mesma. As duas ficariam ali discutindo por um bom tempo.
- Sim, meu bem! Você verá. Mas de qualquer jeito, para que estudar quando você já tem uma vaga reservada em uma boa faculdade particular? É como eu sempre digo: deixe os estudos para os perdedores, pois eles realmente precisam. Querida, a conversa ta ótima, mas eu preciso retocar a maquiagem, até mais! – e mandou um beijinho para Ashley, que ainda estava arrasada com o que Ray havia dito e nem ao menos respondeu a saudação.
Assim que elas foram embora, Ashley olhou diretamente para mim com um olhar de pura raiva. Algo me dizia, desde o começo, que sobraria para mim.
- É tudo culpa sua. Sua e dos seus amigos fracassados – disse a garota, bufando, e saiu com passos firmes. Eu soube, desde que acordei aquela manhã, que aquele seria um péssimo dia.
Após toda a confusão, Ben, que já havia terminado até mesmo com a batata-frita, pegou sua bandeja, levantou e saiu sem nem ao menos dizer tchau pra gente. Emily continuou a fita-lo de maneira muito séria até que o gordo sumisse do nosso campo de visão.
- Eu sabia que este cara nos traria má sorte hoje. O Ben sempre estraga o meu dia, certa vez... – Emily me interrompeu.
- O nome dele é Ben?
- Hã... Sim, por quê?
Emily me apontou aquele olhar característico. Eu pensei “não pode ser...”.
- Ele é o quarto Escolhido. Posso sentir.
Enquanto toda aquela confusão acontecia, a única coisa na qual Emily prestava atenção era na “aura” do Ben. Aquilo sim era má sorte. Imagina só: o “comedor de meleca” agora era um dos protetores da galáxia. Não adiantava duvidar ou reclamar da Emily, eu sabia que ela sempre acabava me convencendo a falar as coisas idiotas sobre alienígenas do futuro pras pessoas. Eu começava, então, a me arrepender por ter começado com essa história de alienígenas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O fim do mundo, cap. 2

Uma semana se passou desde que Emily e eu passamos a andar juntos. Não sei por que raios ela estava sempre me seguindo para qualquer lugar, falando sobre os casos de aparições de óvnis que ela via nos jornais e na internet. Aquilo estava se tornando um pouco chato, mas bem, eu não podia reclamar. Agora, durante o almoço, eu estava sempre acompanhado de uma garota, o que fazia com que todos os meus amigos (se é que posso chamá-los assim) e todo mundo do refeitório me olhassem diferente. Era legal, apesar de minha companhia ser a menina mais estranha da escola.
Foi durante o almoço que ela me falou sobre sua nova revelação. Deixa eu explicar isso: Após assistir ao Canal X, ela insistiu para mim que passou a ter um poder especial: o de identificar, com apenas um olhar, seres sobrenaturais. Eu fazia de conta que acreditava, mas não sabia até que ponto ela tava zoando com a minha cara. O fato é que agora ela poderia, supostamente, não só reconhecer alienígenas disfarçados de humanos ou animais ou qualquer objeto (segundo ela, essa era uma ameaça constante) como, também, poderia identificar os demais Escolhidos, que possuíam uma aura colorida e diferente das pessoas normais. Toda essa situação foi interessante até que, uma semana depois, ela identificou o novo escolhido em nossa escola.
- Eu não acredito que ELE seja nosso novo parceiro. Por que, em meio a tanta gente, ter q ser justamente ele?
- Não fui eu que o escolhi, Max, simplesmente é o que a aura dele me diz.
Estávamos falando de ninguém menos que Raymond Taylor, o popular Ray. Capitão do time de football da escola. O cara mais popular de todo o colégio. Sempre vestia a jaqueta vermelha com o símbolo da escola. Sempre andava acompanhado de um brutamonte careca com cara de mau chamado Henry e um outro cara alto com um topete lambuzado em gel chamado Eddy, sem falar das meninas lindas e descoladas da torcida do time, como Ashley e Whitney, as garotas mais populares do colégio. Eram considerados os caras mais maneiros da escola pelos homens e os mais bonitos pelas meninas.
- Ta certo, Emily, veja bem: nós estamos falando de Raymond Taylor, o RAY. O cara mais popular da escola. Como nós faremos, simplesmente pediremos licença para o resto do pessoal descolado e falaremos para ele sobre a terrível ameaça alienígena que assola nosso mundo?
Ela me olhou séria como se não entendesse a minha situação. Ela também não parecia saber direito com quem estávamos lidando.
- Era exatamente este o meu plano – disse ela, com uma calma e uma seriedade que eu não pude acreditar que aquilo fosse uma brincadeira.
Eu estava chocado. Depois de fazer uma idiotice destas, justamente com o Ray, eu seria considerando o novo “esquisito” da escola. Minha reputação, que nunca foi lá essas coisas, ficaria pior ainda.
- Escuta Emily, eu jamais farei isso, ta bom? Você fala com ele se quiser, eu ficarei espiando de longe. O que seria da minha reputação depois de uma situação dessas? Eu me recuso, ta legal? Eu, definitivamente, me recuso!
Porém, eu sou mesmo um pamonha e ela acabou me convencendo a falar com Ray, com tanto que ela estivesse junto a mim na hora de passar vergonha, o que não fazia muita diferença pra ela.
Emily e eu fomos juntos ao encontro do pessoal mais descolado da escola. Assim que nos aproximamos, interrompendo a conversa, fomos metralhados com olhares estranhos, como quem diz “o que querem aqui, derrotados?”. De repente, Emily, absolutamente calma e indiferente aos olhares, falou:
- Raymond Taylor, nós precisamos conversar com vc.
Muitos olhares estranhos. Eu estava paralisado. Ray parecia muito calmo.
- Ok, podem falar.
- Desculpe, mas gostaríamos de falar a sós com vc.
Nunca havia me sentido tão envergonhado. Era muito pior que a vez da Emily. Os tais Henry e Eddy nos olhavam de forma bem hostil.
- Hum... Ta bem. Eu volto daqui a pouco galera. – disse Ray para seus camaradas que estavam surpresos com o fato dele estar dando atenção à gente.
Fomos a um lugar mais reservado.
- E então, o que vocês querem?
- Explique pra ele, Max.
- EU? Por que eu? A gente combinou que vc diria, lembra?
- Se você foi capaz de me convencer, também será capaz de convencê-lo. Não tenha medo.
Droga, aquilo estava cada vez pior.
- Ta bem, mas antes de tudo, me deixa explicar que isso foi tudo pensado por ELA – e apontei para Emily – e que eu não tenho nada haver com isso ta legal?
Ele concordou. Eu falei tudo da mesma forma que falei pra Emily, pois eu já havia decorado aquele discurso. Ele nos olhava absolutamente surpreso. Depois de um tempo processando a informação, ele levou uma mão à nuca e coçou. Deu uma risada modesta e disse:
- Haha... Bem, vocês me pegaram desprevenido. Não esperava algo tão absurdo assim.
Eu sabia. Tava certo: Max, o cara do primeiro ano, seria o novo menino esquisito da escola. Minha reputação, finalmente, terminava em ruínas. Emily continuava o fitando muito séria para deixar claro que aquilo não era brincadeira. Foi quando Ray continuou:
- Porém, não sei ao certo o que é, mas tem algo em vocês que me passa muita confiança. Pra ser sincero, eu ainda não acredito no que vc disse, mas prometo que darei uma conferida no tal “Canal X” essa noite e prometo também que não contarei a ninguém sobre isso.
- Ta bem, manteremos contato com vc. Até breve. – disse Emily, já me puxando pelo braço para longe.
Aquilo estava ficando mais estranho a cada dia. Aquele cara legal era Raymond Taylor, o Ray que eu sempre odiei? O cara metido a herói da escola, agora bancando o bom sujeito? O lendário Ray, assistindo ao Canal X? Aquilo era muito esquisito para mim. Emily parecia achar o percurso da nossa aventura bastante normal. Ela vivia num mundo a parte. Aposto que ela nem devia saber quem era Ray, Eddy, Whitney e toda essa gente antes de falar comigo. Quando não estava me metralhando com informações sobre a nova revista óvni, estava sempre em sua carteira, quieta, lendo um livro antigo com cheiro de mofo que ela nunca devolvia à biblioteca.
Bom, pra piorar a situação, no outro dia, ao chegar na escola, me deparei com ninguém menos que Ray, o próprio, esperando na porta da nossa sala. Ele me abordou de imediato.
- Cara, isso foi realmente alucinante! Eu nunca imaginei que algo assim poderia acontecer conosco. O Canal X é real! Desculpe por não ter acreditado em vc, Max. E então, que horas Emily sempre chega? Ela está um pouco atrasada para a aula, não está?
Passei um bom tempo pensando em como Ray sabia meu nome. A Emily tudo bem, pois ela era conhecida por todo mundo por suas esquisitices, mas como ele me conhecia? Assim que Emily chegou, nós começamos a conversar sobre a invasão, os alienígenas e toda essa palhaçada. De repente, Henry, Eddy e o resto do pessoal maneiro do time de football aparece.
- Ei Ray, vamos nessa!
- Ok, eu já vou, Henry. Só preciso conversar algumas coisas com meus amigos aqui.
A cara com que Henry me olhou ao ouvir a palavra “amigo” foi indescritível. Não dava pra saber se ele ficou bravo ou se achou que fosse uma piada. Só sei que nossa aventura continuou, cada vez mais estranha e inesperada.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Apoteose ou mediocridade?

Não tem nada haver com lagoa e catedral.
A força pulsa por baixo de todo o calçamento
Contida virtualmente.
Um potencial que jamais se revelará.
O coração do leste europeu... Há um coração?
Mil cores sobre mil sóis - A verdadeira serpente dança!
O gosto do ácido como um dedo no fundo da garganta ~ Imagem
"Tudo o que eu sempre quis
foi que eu e meus amigos fossemos um só".
...
Mil palavras.
Um belo discurso. É so.
Nada...
Nada existe além de mim.
nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Aniversário ou Ama-me por favor II

Hoje meus pais me levaram para passear.
Hoje meus pais me levaram para fazer compras.
Hoje meus pais me levaram para comer pizza.
Minha pele tem cheiro de talco.
Meu quarto tem cheiro de talco.
Meu quarto tem cheiro de morango.
Meus lábios tem gosto de morango.
Então eu dormi.
Dormi até que o sono acabasse.
Quando acordei, havia um bolo esperando por mim.
É meu aniversário?
Eu mereço tudo isso?
Isso é real?